A conversa é mole, mas o papo é firme.

sexta-feira, agosto 29, 2008

Desagôsto

Acho que já disse trocentas vezes aqui que agôsto é um mês terrível, e que só termina no dia 31 às 24 horas. Até no último segundo, pode acontecer alguma.
O assalto ao caminhão de Ritz tinha que ser neste mês.
Todo mundo sabe que a perda material foi grande, mas acho que só um músico para saber o que é perder um companheiro das horas difíceis de se descrever em palavras. Imagina quando são muitos companheiros ao mesmo tempo.
Horas boas e ruins. Aquela hora em que as saídas eram poucas e estreitas, e o bichinho reagia fiel ao seu toque, relembrando através dos sons, as esperanças passadas, e cunhando o futuro, geralmente em forma de novas composições ou uma mera aventura sonora.
É um filho, daqueles que vc pode escolher, testar, e que jamais irá encontrar outro igual. Parecido, mas sempre diferente.
A família Leema deve estar sentido-se como se um avião de parentes tivesse caído.
Não sei como as coisas andam, mas por serem tantas coisas, é muito difícil de serem encontradas todas, a não ser que seja aquela modalidade de seqüestro, em que levam e pedem uma grana para retornar. Mas se tiraram do caminhão e o devolveram vazio, não é bom sinal.
Momento extremamente difícil, onde resta o alívio de que não tenha acontecido nada com as pessoas, mas é uma forma muito cruel de treinar o desapêgo material.
Praticamente dez anos depois do assalto ao sítio.
Mas a Fênix vai voar novamente firme e forte, como sempre o fêz.

E tem Caetano & Roberto. Fico pensando no que é certo, no que é errado nesta jogada.
É lógico que a grana é alta, senão ninguém arriscava o pescoço. Agora pensam em levar o show para o grande público. Assistí até onde pude a Milton Nascimento com os Jobim em praça pública, e é o tipo de música para banquinho no barquinho dentro do apartamentinho da narinha.
Para virar especial de tv, dvd, ainda vai, mas tem um outro aspecto.
São duas feras inegáveis, mas fico pensando bestamente: a mim soou como se numa festa de 50 anos do rock nacional, uma homenagem a Rita Lee fôsse feita por Ivete Sangalo e Zeca Pagodinho. Uma tem um pouco de rock o outro um tanto de samba'n'roll, mas os que levaram a bandeira em frente, acabam fazendo showzinhos paralelos sem grande repercussão e viram coadjuvantes. Pior que medalha de prata.
Do João Gilberto não vou falar, senão ele resolve não fazer mais showssurro, e vão acabar dizendo que a culpa é minha.

3 comentários:

Norma Lima disse...

Bart, eu sei que você (e não somente tu) tem essa teoria sobre agosto/mês do desgosto, mas lamento muito que, neste horrível episódio do roubo, não tenha acontecido o que a letra do Chico Buarque pediu numa canção: "que num cochilo de agosto..." Por que agosto não cochilou e liberou o caminhãozinho da nossa Amada? Roubarem logo o equipo dela? Porra!!!! Mas você disse bem, ELA reaparece das cinzas, quanto mais a vida a sacaneia, mais ela fica forte para cumprir a missão intergalática. Já vimos quantas vezes ela superou dificuldades, driblou os zagueiros e fez gols.De minha parte, estou com a casa em incensos e velas perfumadas, com energias de ânimo e de luz pra ela. Aliás, faço isso sempre. E sei que não sou só eu.
Sobre o João Gilberto, o que mais adorei, de tudo que li, foi um texto do Artur Xexéo que saiu no Globo de 27/08, o nome é "Miss Simpatia no Teatro Municipal", infelizmente não disponível em link. Vale a pena...
Que devolvam os objetos dela, sabemos o quanto ela se afeiçoa porque é criativa ao criar e recriar figurinos e instrumentos.
Solidariedade a Roberto, Beto e a todos os que pertencem à banda e trabalham nos bastidores, conheço bem como são sérios e cuidadosos para o espetáculo acontecer.

Monegheta disse...

Hey Bartsch!
Depois de tudo o que já foi dito por aqui, só me resta dizer que se Ela estiver precisando de um colo, carinho e um quentinho na alma, é só chamar!
Queria ser mágica, fazer 'abra-cadabra' e devolver tudo a Ela. Mas nem sempre é possível ter um final feliz pra animar. E lá no meio do picadeiro, o show não pode parar.

Tenho notado, pelo menos na aldeia onde moro, que RC não dá entrevistas sobre o show. Somente CV. Será TOC?

No peito dos sussurrantes-desafinados tb bate um coração...

Adriana Amorim disse...

Olá, Bart!!
Quanto tempo fazia que não pisava por aqui, heim!? Nem sei se lembra de mim, mas eu guardei um relato muito interessante em minhas memórias da entrevista que fiz contigo.

De toda forma, essas visitas serão mais frequentes, já que fiz um blog e adicionei o seu lá pelas minhas 'janelas interessantes'.

Ah.... agosto também representa para mim um mês difícil. Ainda bem que já passou! rsrs...

Beijos!
Adriana.