A conversa é mole, mas o papo é firme.

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quinta-feira, novembro 09, 2006

Os Abnegados

Já que é o post 69, vamos falar de sacanagem.Sacanagem que a vida apronta com algumas pessoas, mas que podemos ajudar a amenizar.
Se existe alguma coisa para a qual temos que nos curvar, é a abnegação de algumas pessoas em fazer o bem.
Quando no final dos anos 1970 começamos o Grupo NÓS aqui em Ribeirão Prêto, dois dos membros da banda, Johnny e Lão, davam aula de música na FEBEM. A barra era totalmente outra. O grupo, na época, chamava-se NÓS 4, e tocavamos para a molecada, para amenizar aquela barra toda. Era uma platéia excelente, e era muito bom ver o brilho naqueles olhinhos ao ouvirem música ao vivo. É bom lembrar que os internos eram praticamente crianças abandonadas ou que haviam feito pequenos delitos.
Por esta época, conhecemos umas das abnegadas, Sueli Danhone. Piracicabana, Rubs, e formou-se em Serviço Social aqui em Ribeirão Preto.

Assim que se formou, Sueli ficou sabendo que havia um posto policial que iria abrigar apenas menores. Foi fazer uma visita, e viu que era nada mais nada menos que uma prisão, com todos os mau-tratos possíveis. Conversando com as crianças que la estavam, perguntou o que gostariam de ter, e a resposta foi "Uma casa, uma casa".
Ao ouvir isso, Sueli, mais a monja beneditina Ione Buyst e o padre João Rípoli, fundaram em 1973 a Casa das Mangueiras.
Tempos depois, minha banda fazia apresentações para angariar fundos ou alimentos, para dar um mínimo da ajuda para a Casa das Mangueiras. No natal, angariavamos brinquedos, e assim seguia.
Sueli continua nesta batalha até hoje. Uma frase dela, numa entrevista: "Em mais de trinta anos convivendo com menores em situação de risco social, nunca sofri uma agressão, nunca levantei a mão para um deles. Todos, sem exceção, têm dentro de si a bondade. O que é preciso é criar condições para que essa bondade aflore. Não é confinando menores em jaulas, como se bichos fossem". Em 32 anos, cerca de sete mil menores passaram pela Escola Experimental Casa das Mangueiras.

Rita faz suas excursões anôminas com os Doutores da Alegria, que vão visitar crianças com cancer e estão nos hospitais especializados.
Alguns famosos estão adotando crianças de lugares desprovidos de tudo o que se possa pensar para chamar a atenção do mundo para estes bolsões de pobreza.
Madonna fez isto, e existem pessoas que caíram de pau, dizendo que é marketing. Acho que adotar uma criança, se pensarmos assim, não é uma forma inteligente de marketing, pois chama atenção no ato da adoção, mas depois é um ser humano a ser cuidado por muitos anos. Acho que para os que querem marketing, existem formas menos trabalhosas de chamar atenção para sí, mesmo fingindo fazer o bem.

De qualquer forma, todos nós com nossos pouquíssimos recursos, pois imagino que todos por aqui lutam duro pela vida, podemos sempre que possível, dar uma ajuda. Uma boa forma é adotarmos uma criança em uma creche. Você não precisa levá-la para casa. Você ou dá roupas, alimentos, ou simplesmente destina uma quantia em dinheiro, mensal, para uma criança. Geralmente isto gira em torno de dez reais, com um pouquinho mais em datas especiais, como o aniversário da criança, dia da criança, natal, etc. E sempre que pensar que precisa de uma lipo, renovar o guarda-roupas, ter carro do ano, vá fazer uma visitinha a uma creche, em abrigo de idosos, hospitais, porque é bom que os olhos vejam o que acontece, e dai o coração amolece.
É bom lembrar que o projeto Almanaque Rita Lee vai ser todo revertido para o Abrigo dos Artistas.

E pode você gostar ou não da Madonna, dá uma olhada na entrevista que ela deu para a Oprah, e tire suas conclusões, antes da crucificação. O moleque escolhido teve muita sorte na vida, mas acho que vai ser educado para um dia ajudar os de sua origem.



Madonna - Entrevista sobre Adoção Parte 1de3


Madonna - Entrevista sobre Adoção Parte 2de3




Madonna - Entrevista sobre Adoção Parte 3de3