A conversa é mole, mas o papo é firme.

quinta-feira, fevereiro 21, 2008

Perambulando pelo universo

Eu sei que dá um trabalhão fazer, sei que tem gente que adora, mas eu nunca gostei de filmes musicais.

Dava um arregozinho pro Elvis, pois Elvis era assim, e para o Jerry Lewis, pois cantava bem menos. Quer dizer, quem cantava era o Dean Martin, acho que por imposição da máfia do Sinatra, mas ai já é outro bloco de cimento nos pés de alguém.


Mas a introdução é para falar de "Across the Universe", filme que é totalmente baseado em músicas dos bítous. Tem diálogos, mas muitas vêzes tudo para e entra alguém cantando ou dançando.

Além dos filmes dos próprios bítous, me lembro de "All this and the world war II", que tinha imagens de guerra, com músicas originais dos Fab como trilha, depois um fiasco total, que foi "Sgt. Pepper Lonely Hearts Club Band", que era interpretado e cantado por Bee Gees, Peter Frampton e sei lá mais quem. Impossível de ver.

Teve um do Sean Penn, I am Sam, que tinha só música dos bítous de trilha, mas com outros intérpretes famosos ou nem tanto, como Sherryl Crow, Eddie Vader, Ben Harper, Sara Mclachlan. Era a história de um débil mental lutando pela custódia de seu filho de 7 anos. Bom filme.

Deve ter mais alguns, mas ja está bom.


De cara, é sempre ruim ouvir as músicas que você aprendeu com seus mestres, interpretada por outros. Parece meio traição, infidelidade, meio quando se descobre que o pai ou a mãe tem um amante. É chato.

É lógico que existem nas milhões de tentativas de reinterpretação algumas que se salvam, como With a little help from my friends com o Joe Cocker, In my life com a Ritz, mas das que eu gosto, e que aparece só um pedacinho no filme, é A day in the life com o Jeff Beck. Por incrível que pareça é uma versão só instrumental, solada com guitarra, que é o instrumento do Jeff. Mas é de chorar.

Na trilha do filme, algumas músicas ficaram muito arrastadas, outras gritadas, mas por incrível que pareça, e talvez eu não generalize pois vivi a época, é que não se pode assistir ao filme na frente dos filhos, pois sempre escapa uma lagrimazinha furtiva. Let it be é uma hora forte.


Um garoto sai da Inglaterra para vir aos states achar o pai que nunca conheceu. Ao terminar a segunda guerra, muita barriguinha ficou prenha por soldados que voltavam para casa e na maioria nem imaginaram que deixaram herdeiros para trás. O rapaz acha o pai logo de cara, que lógicamente tem outra família e lhe da pouca atenção. Desta forma, acaba caindo no caldeirão fervente do flower power, guerra do Vietnam, drogas, protestos, ou seja, os 60.

Os nomes dos personagens são todos tirados de músicas dos bítous. Jude, Prudence, Rita, etc. Existe uma cantora que parece Janis, que tem um guitarrista que lembra Hendrix, e os dois tem um relacionamento que lembra Ike & Tina Turner. Um amigo do protagonista, ao voltar do vietnam, parece Kurt Cobain. A mocinha parece a Avril Lavigne.

Joe Cocker faz uma ponta, assim como Bono Vox.


O visual, que é o ponto forte, passa pelo realismo, pelo psicodelismo, passeia na Magical Mistery Tour, e acabam ao final tocando no telhado de uma gravadora.

Assim sendo, quem tiver as referências da época, vai curtir muita coisa que não é dita diretamente. Lógicamente, as letras das músicas são o guia do enrêdo. E no final, claro, All you need is love, porque o amor que você recebe é igual ao que você oferece, sempre.

Quem bolou o roteiro, devia ser fã do Lennon, pois o Macca embora muito presente, fica meio de lado nas composições escolhidas.

Outra coisa bacana, é que usam algumas música do início da carreira, que nem são composições dos bítous, mas que ficaram bem legais. Talvez estas as melhores interpretações.


Para definir o resultado geral, uso uma frase mineira que talvez resuma toda a inquietação filosófica universal (que não do Edir Macedo):"Tem, mas acabou". É bacana, mas é chato. De qualquer forma, nice try. E você que já assistiu cada puta filme idiota, e ainda pagou a locação, ou pior, a entrada caríssima de cinema, acho que não vai xingar tanto ao final. Ou nem vai, depende do domingo e da chuva. E da companhia.


Mas já que está pago e ainda não deu a hora da consulta, uma rapidinha ao final: porque que a japoronga Ono permitiu estas reinterpretações mocorongas, e não deixou Ritz fazer aquelas versões tão sensíveis?

2 comentários:

Anônimo disse...

Bart, estou aguardando esse filme há algum tempo. Já saiu em DVD??? Lucindo

Monegheta disse...

Bartinho,
Respeitosamente, reinterpretar é diferente de versão.
Desconheço as versões proibidas da Marquesa de Sampa para as músicas dos Beatles, e certamente gostaria delas. E tb penso que o prejuizo não foi tão grande assim, uma vez que 'Aqui, ali, em qualquer lugar' é excelente. Mas quando lembro do que Marina Lima fez com 'nem luxo, nem lixo', tomo isso como um crime. "Só não duvido da fé"... Ui ui ui, Rita deveria mandar recolher!