A conversa é mole, mas o papo é firme.

sábado, outubro 21, 2006

Mais sobras de RLML e uma surpresa

Oba. Post número 50. Como o tempo passa.
Para comemorar a marca, a seqüencia dos capítulos que ficaram fora de RLML. Como já dito, pode ter coisa repetida de outra forma, mas é só curiô pra quem quiser saber como era. Depois do capítulo, tem um trailler do que vem por aí.


SANTAS QUE NUNCA FORAM SANTAS

Era uma segunda feira quente, terrível como todas. Três garotinhas passeavam um cachorrinho pelo Parque do Ibirapuera, nas proximidades do lago. Estavam distraídas com seus pequenos dilemas, quando uma delas notou um objeto próximo a uma árvore. Parecia uma imagem de santo, de plástico, e toda cinza de poluição. Os olhos azuis, arregalados, chamavam a atenção.
As meninas nem considerariam pegá-la para o acervo de bonecas, pois estava bem maltratada por sua história pregressa. Mas embora fosse um dia claro, envolvendo as cercanias da árvore havia uma névoa quase imperceptível. Mesmo não querendo, as três foram atraídas para mais próximo e viram algo estranho. A imagem soltava um líquido. Seriam lágrimas, como geralmente acontece em aparições místicas?
Mas não estava escorrendo do rosto, mas sim da parte de baixo. Mary, a mais velha das três, aproximou-se, e sentiu um cheiro característico, vindo do líquido. Será que o cãozinho tinha feito suas necessidades justamente ali?
Neste momento, o objeto momentaneamente perdeu o senso de gravidade e passou a flutuar quase a um metro do chão. Mary, Virgínia e Rita ficaram petrificadas ao ouvir aquele pedaço de plástico falando. Reza a lenda que foram ditas três profecias.
O caso ficou conhecido pelos jornais sensacionalistas como a aparição de Santa Rita de Sampa. E as garotas, alegando amnésia, nunca revelaram o que lhes foi dito. Durante anos o caso foi tratado com ironia, pois a imagem não havia sido encontrada, não se sabia que eram as profecias, e tudo ficou como se fosse imaginação fértil da infância.

Muito tempo após, algo de muito estranho ocorreu, começando no mesmo local. Um rapaz encontrou uma garota, que estava sentada ao pé da árvore onde houve a suposta aparição. Ela era de uma beleza estonteante. Como já havia conseguido em várias outras vezes, o rapaz convenceu a garota a dar uma volta de moto, para os lados da Serra da Cantareira. O rapaz usava como pretexto para levar inocentes para aquele local, a história da queda do avião com pessoas famosas, e prometia conseguir partes da fuselagem, ou até pedaços dos ocupantes, coisa que muita gente havia conseguido, e guardava de lembrança. Desta vez a coisa não deu muito certo.
No mesmo dia à tarde, o rapaz foi encontrado caído na mata da Serra, com o pênis decepado por uma mordida, e a poucos metros dele, uma imagem de plástico muito semelhante àquela que fora alvo de tantas chacotas da mídia.
A imagem tinha manchas de sangue na região da boca, e parecia ter um sorriso enigmático nos lábios. O pedaço do pênis também foi achado e conservado em sorvetes de groselha, tomados das crianças que tinham achado o pedacinho de carne. Internado pelo SUS, o rapaz foi vítima de um pequeno erro médico, talvez deslize de um residente afoito, que costurou a cabeça do membro no toquinho que restava. Virou uma anomalia da medicina. Um pinto com a cabeça no meio.
As três agora mulheres foram chamadas, e confirmaram ser aquele objeto que haviam encontrado quando crianças, e apenas comentaram entre elas, que uma das profecias estava cumprida, sem nada revelar sobre as outras. E o rapaz confessou todos os assassinatos que havia cometido, usando aquela mesma rotina. E ninguém acreditou quando ele disse que a garota tinha se transformado na imagem, quando ele a chutou. Novamente as profecias da Santa Rita de Sampa. O máximo que se conseguiu saber é que havia três profecias a serem cumpridas.

Foi assim que me contaram esta história, e assim começa este diário, para ver se consigo entender minha relação com uma das três meninas. A que tinha o mesmo nome da suposta Santa. A Rita.
Escrever este diário, foi uma forma de dar uma certa cronologia aos fatos que talvez possam me ajudar a cumprir um sério objetivo: me livrar de Rita Lee.
Meu nome é Farniente. Bárbara Farniente. Bárbara de Oliveira Farniente. E não tenho permissão especial para nada. E odeio coisas que sejam chacoalhadas mas não misturadas.
Acho desnecessário contar o que passei na escola, com um sobrenome desses. Qualquer movimento em classe, era relacionado à srta. Farniente. Aqueles moleques com aqueles bigodinhos ridículos me chamando para farniente atrás da igreja, depois que descobriram o significado da palavra em italiano. E falavam com a mão remexendo seus sacos fedidos.
Sou uma capricorniana típica. Uma cabra que sobe ao topo do mundo e não quer que ninguém venha encher o saco, pois odeio descer de lá para resolver probleminhas que não causei.
O bom de ter um diário é que podemos escrever o que aconteceu do jeito que quisermos. Às vezes verdades, às vezes mentiras. Mentiras, mesmo. O diário é meu. O diário. Odiário. Lugar onde mora o ódio. E mentiras sinceras me interessam... Acho que isso é letra de música. Esquece. Detesto pessoas que não sabem se expressar e ficam citando letras de músicas. Medíocres. As letras e os citadores.
Sabe a primeira coisa que falei em minha vida? Lita Li. Claro que não me lembro disso - minha mãe, dona Diva, quem me contou. E ela é quem deve ter me ensinado.
Geralmente escrevo em momentos de total desespero. Não entendo porque minha vida aconteceu desta maneira. Se não fosse o Jung, eu deveria ser a inventora da sincronicidade.
Sincronicidade é o conjunto de ações semelhantes ou complementares que acontecem entre duas pessoas, mesmo que completamente separadas no tempo e no espaço. Sei que é uma explicação meio porca, mas fazer o que em duas linhas? Já escreveram muitos livros sobre isso. Se falassem sobre isso em uma novela, todo mundo ficaria interessado. E eu odeio novelas.
Mas embora saiba muito bem o que quer dizer na teoria, na prática é terrível estar sempre trombando com Rita Lee. Minha vida está sempre enrolada com a dela, de alguma forma.
Preciso aprender os doze passos para me livrar de RL, como nos AA. Quero me livrar disso, pois não sei se estou pirando ou se as coisas... PARA, PARA, PARA!!!!! Outra letra de música. E das dela. Écat...
Mas será que adianta escrever? Fico com vergonha só em pensar que alguém venha a ler. Será que é melhor escrever mais um pouco ? E se ela vier a saber disso tudo? Não duvido muito, pois ela é bruxa. E se autodenomina santa. Santa Rita de Sampa. Onde Caetano Veloso estava com a cabeça ao fazer aquela letra?
Fico pensando nas coisas escabrosas que escreverei nestas páginas, para contar essa história. Sinto até um pouco de culpa ao escrever, pois sei que vou expor a intimidade de muita gente. Mas nós mulheres, somos escravas da pré-culpa. Acho que por causa da TPM que nos inferniza a vida inteira. Sempre antecipamos o pior, mas não perdemos a chance de contar novidades.
Sei que escrevo para ao menos tentar entender o porque de estar incluída nessa história. E então fui pesquisar e fazer investigações. Como tudo tem uma origem, fui busca-la. In loco.

As pistas iniciais estavam lá pelas bandas de Rio Claro, passando por Americana, Nova Odessa, Santa Bárbara D’Oeste, Piracicaba e Itu. O Circuito Ar Ar. Não é por causa do clima, não. Pórrrta, porrrque, leite quente, tês e dês pronunciados ao pé da letra. Tento acariocar o meu sotaque até hoje. Por que inglês é assim pra caramba e ninguém tira sarro? Aliás, idolatram.
Estas cidades entram na história, por ser o foco dos Jones, Padulas e Farnientes .
O que vou contar no início, é a reprodução do que ouvi por lá, dito por americanos, italianos e nativos do local. Chequei tudo nos livros de história, e parece ser verdadeira, quanto a datas e locais, mas a tendência do ser humano para dourar suas pílulas, é incrível. Mentem muito. Mas, afinal, tem um certo senso, pois só uma história dessas para gerar aquela maluca.
Depois, à partir de quando me dei por gente, contarei o que vi. E se inventar alguma coisa, também não irá alterar a história toda, porque Rita Lee é uma grande invenção, um delírio. Realidade e ficção misturadas. Ingênuo de quem não souber que Rita Lee não é Rita Lee. No melhor estilo Cem Anos de Solidão.

(e aqui termina este capítulo. Deve ter mais uns dois, trêz a quem possa interessar)

Estas são do meu baú razinho. Imagens em vídeo do Rock in Rio 1985, primeira edição. São duas vinhetas. A primeira é Rita mais Alceu Valença, chamando para o show de Baby e Pepeu. RÁ!!!!!




Neste, Glória Maria vinte anos mais nova, como todo mundo, claro, fazendo perguntelhas pra Rita. O Curioso é ver ao lado da Rita, o Antonio Bivar, de camisa verde.



Mas como foi dito, isto foi um trailler. Loguinho tem imagens do show, que não são muitas, mas dá para ver o que aconteceu. E vai dar para acompanhar com o texto que a Norma colocou no blog dela, contando esta aventura.

5 comentários:

Norma Leema disse...

"Eu sou magrinha, mas sou forte...", disse a deusa à Glória Maria. Que lindinha... É forte sim!!!
Bart, o que é isso, você quer matar a gente? Maravilha o episódio de RLML. Sempre que leio o seu texto me emociono... Que história, heim? Acabou? Não dá pra colocar mais uns trechos? Imagino o que de coisa boa ficou de fora do livro...
Voltando aos vídeos, aquele maldito papelzinho da Censura Federal, antecedendo os programas... passei minha infância e adolescência vendo isso... argh!
Material luxuoso para a nova geração. Compromisso com a memória!
Obrigada!!!

Josie Patch disse...

Nossa, o livro Rita Lee mora ao lado é engraçado como esse pedacinho? E por que ficou de fora?
Eu ainda não comprei!
Rita fazendo entrevista, até melhor que a Glória, né?
Beijos.

Pedro Pacheco disse...

olá, sou seu leitor. Soube desse blog e vim dar uma conferida.
gostei da biografia em forma de romance publique outra o mais rápido possível. você pretende só escrever sobre a rita lee ou tem outro artista em mente?

Pacheco

Verônica disse...

Se todo engenheiro escrevesse como vc...hehehe...tem livro q a gente termina e fica querendo mais...obrigada pelo "Plus"

fernanda lee disse...

Putz ... quanto mais se mexe no baú de Bárbara mais se tem coisas curiosas pra ler .. que doido!!! loucura total ... nas minhas andanças pelo ibira vou prestar menos atenção nos gansos ... vai que eu encontro a imagem ... eheheheh

..f lee .. (aguardando os próximos capítulos das escrituras .. vídeos .. loucuras !!)

bjokas