A conversa é mole, mas o papo é firme.

segunda-feira, fevereiro 05, 2007

Preparando o terreno

Como os grandes meios de comunicação estavam em São Paulo e Rio, não tinha jeito: se você era inquieto o suficiente e achava que tinha alguma coisa a dizer para as pessoas, que tratasse de arrumar algum parente que morasse numa destas duas cidades, ou amigo, ou mesmo os bancos das belas praças que por lá gorjeavam. Muita gente dormiu nas areias da Guanabara.

Foi este o caminho que muita gente fez. Depois de batalhar muito no Rio, cidade pela qual havia trocado sua Cachoeiro do Itapemirim, Roberto Carlos viu que em São Paulo ainda não tinha levado todos os "nãos" que já havia coleiconava. A Bossa Nova não era um fenômeno popular, de massa, e Roberto queria isso na vida. Com alguma coisa já rolando nas rádios, viu que Sampa era o lugar.

Como aqui no Brasil, sempre acabava acontecendo o que rolava uma década atrás nos States, o grande veículo agora já firmado, era a TV. A mesma TV que havia feito Elvis virar o que virou. Um fenômeno em poucos meses. Uma emissora, a TV Record, apostou na música, talvez sem nem saber direito porque, mas quem estava em casa assistindo sabia: sentado em sua poltrona, cheio de vizinhos à sua volta, o feliz possuidor de um aparelho de televisão poderia ver em movimento todos aqueles ídolos que só via em fotos.

Em um curto espaço de tempo a Record tinha uma concentração extraordinária de astros por metro quadrado, e a audiência, traduzida em anunciantes permitia que este quadro se ampliasse mais e mais. A principal atração de todas as noites da semana, de segunda a domingo, era musical. Isto também fez com que todas as tendências já existentes estivessem juntas, com as pessoas se conhecendo, cruzando-se em corredores, mas não dividindo os mesmos palcos, pois sempre é bom ter um climazinho de guerra para acirrar os ânimos.

Como ainda estamos nos anos 1960, não existia a facilidade da Rede Nacional, e por isso alguns programas da Record eram reproduzidos no Rio, mas os originais estavam mesmo em São Paulo.

Foi nessa altura que Paulo Machado de Carvalho, o mentor de toda esta zona, deu a grande tacada. Criou um novo programa, aproveitando a idéia de experiências que já haviam sido feitas em outras emissoras, e eram os festivais. Todo mundo se inscrevia com musiquinha, para ver se faturava um premiozinho qualquer, mas na verdade as vagas já estavam todas reservadas para músicos, compositores e intérpretes que pertenciam ao cast da Record.
Assim sendo, um período muito fértil da música brasileira foi efeito colateral de mais um programa de tv, feito para faturar, incluindo uma disputa, o que sempre chama a atenção de muito mais gente.

Nestes programas as tendências musicais foram se firmando e outras tantas foram aparecendo. E a população toda mobilizada para torcer por uma canção, e não por um big bódi, imaginam isso? Pois é, já houve um tempo assim.
Sei que a grande maioria esta com as picuinhas cheias de saber tudo isso, mas tem novinhos na sala que precisam saber o que havia antes dos RBD. Calma, pois ainda chegará a hora das traições, amores não correspondidos, tramas paralelas, núcleos, drogas, sexo e muita música de todas as tendências.

Para quem conseguiu chegar aqui, embora contrariado, de brinde um ângulo diferente do show na Paulista, onde ELA tocou para dois mijones de pessoas, o dôbro dos que viram os Stones em Copa. O que está la embaixo não é enchente na marginal não. É gente mesmo. Já perguntei, mas ninguém falou quantas pessoas foram em Copa no dia de Sãsabastchão.


6 comentários:

Denise disse...

Infelizmente tudo envolve comércio e interesses... Vivemos num mundo capitalista onde tudo e todos são vítimas, inclusive os coitados dos aproveitadores. De qualquer, ainda bem que houve uma época em que as pessoas torciam por música (e boa música!) e não por big bosta... Lamento por não ter vivido nada disso, porém, tenho a chance de ter as histórias nas mãos e aproveito esse "privilegiado acesso" pra poder seguir em frente. Agradeço aos deuses por não ser protagonista dessa minha geração que só não a chamo "Geração de Merda" porque cruzo com vários malucos como eu no meu caminho... Tenho comigo que é preciso "usar" o passado pra poder construir alguma coisa agora, e de repente até sentir algum orgulho dessa galera geral.. Antes que seja tarde.

Beijo!

Normitz disse...

Essa história do eixo Rio-SP é mesmo incrível, e vem de longa data. Veja que Mário de Andrade já escreveu a respeito do porquê do Movimento Modernista de 22 ter rolado em Sampa e não na terra carioca.
Pra quem não sabe, o Tropicalismo é filho do Modernismo de 22, tão lá versos de Oswald de Andrade citados nas letras da tropicália.
Esse negócio de ver tv na casa do vizinho... hehehehe... vinham ver a Jovem Guarda na minha, meus pais eram os únicos que tinham tv na vila em que morávamos.
Até hoje eu me lembro do movimento na sala de casa à noite, todos expremidos no sofá pra ver a dança de Wanderléa. Eu acho que eles nunca assistiram ao programa dos tropicalistas, pois seu eu tivesse visto a Rita, mesmo neném, já ia virar fã. Pode crer. Se a Ziza com um aninho já é do Fã Clube dela, por que eu não seria?
Ah, você quer saber quantas pessoas foram ver a nossa Querida aqui em Copa? Eu vou te mandar o DVD que gravei lá e você mesmo conta o número de pessoas na platéia.
Hahahahaha
Lee má

Normitz disse...

ah, eu acho que o programa da jovem guarda passava de tarde... ou era à noite aqui no Rio? Sei lá, eu era baby...

Edna disse...

Falcatruas existiram, existem e existirão em todas as épocas, só muda o formato.

Cheguei a assistir alguns desses festivais, aliás, foi num deles que vi a ruiva pela primeira vez, já que só conhecia de ouvir no rádio. Porém, diferente da Normitz, eu, minha mãe e irmãos é que íamos movimentar a casa da vizinha, pois a tv foi um bem que demorou muito pra chegar em casa. Talvez por isso eu tenha tido uma infância/adolescência diferente dos outros da minha idade.

Não conta pra ninguém, mas eu conheci o Dr. Paulo pessoalmente. Brincadeira. Mas conheci mesmo. Foi quando trabalhei na prefeitura em Sampa, ele já velhinho e eu moça e linda... Tô me achando, né?

beijão!

Dani Lee disse...

Orra meu, aqui estou eu denovo reclamando da época...
Nos festivais da Record eu ainda não era nascida :@
Mas ainda bem que eu não precisei ver tv na casa do vizinho...mas isso na época parecia moda hehehe.
Como eu nao estava na época dos festivais da record eu vou parar de escrever nhem nhem nhem.

BART KD VC QUE NAO COMENTA MAIS OS NOSSOS POSTS????

SAUDADES DA RITA, A AMOO MUITOOOO.



beijos telepáticos;

fernanda lee disse...

"nesses tempos" a televisão era inteligente e não sabia ..


linda essa fotoooooooooooooo ..
será que alguém me encontra ai embaixo ..
kkkkk


bjs
fefetz