A conversa é mole, mas o papo é firme.

domingo, setembro 17, 2006

Ana Embrulha



Chegando detonado da estrada, mas vamos ao prometido.
Feira do Livro de Ribeirão Prêto. Encontro com Ana Maria Bahiana e Nelson Motta.
Ana eu fui para assistir. Junto com ela Sonia Rodrigues e Fátima Chaguri. Uma mediadora que conheço mas me fugiu o nome agora. Assim que as 4 sentaram nas poltronas, a mediadora já lascou "Oba, 4 mulheres...vamos fazer um Saia Justa"...lógicamente referência ao bom e velho SJ de época, já que agora são em 5. As escritoras adoraram.
Ópera resumida: Aninha escreve melhor do que fala. Morou muito nos States e embora negue, está americanizada. Diz que nem lê jornais por aquí. Lê só a Wired, Vanity Fair e The New Yorker. Falou um pouco do tal almanaque dos anos 70, nem tocou no "Nada será como antes", que acho mais interessante, e disse que um grande divisor da década, entre 74 e 75, foi a chegada da cocaína. Sonia, filha de Nelson Rodrigues me pareceu bem mais interessante, e para quem prestou atenção, filha de Nelson Rodrigues, mas fora do casamento dêle, e de mãe solteira. A vida como ela foi. Queixou-se muito de ter levado uma vida na pobreza. Aliás, tenho visto muitos filhos de famosos indiretamente criticarem os pais quando sobem em um palco. Acho bom ficar de olho no microfone de Beto Lee. Só abrir na hora dos backing, devem ser as ordens superiores.
Mas o maior problema que ví não só lá, como em várias palestras que tenho assistido, é que as pessoas não sabem fazer perguntas. Pedem para perguntar, apresentam verdadeiras teses sem pé nem cabeça e quando acabam não se sabe onde realmente gostariam de chegar, depois de dez minutos falando. Isso me ajudou a entender porque os editores de RLML pediram para cortar um pouco o começo, para entrar logo na história da Rita. Estamos lá para ver os palestrantes e não teses não anunciadas no programa. Existem situações nas quais uma rapidinha é o que basta, concordam?
Se fôr um mediador com prática, coloca-se a coisa nos eixos, mas não foi o caso. Acabou ficando tão chato, que as pessoas começaram a sair, e a palestra acabou em baixa. Teve um cara que fez uma pergunta, e saiu no meio da resposta. Nem ele agüentou. Eu tinha uma colocação para a Ana, mas resolví fazer pessoalmente, e acabei fazendo após o termino: em inglês existem vários estudos sôbre a influência das mais diversas drogas na criação artística. Muitas obras primas da literatura, música, teatro, artes plásticas, foram criadas pelo whisky, pelo ópio, pela cocaína, heroína ou até muito café e cigarro. E no Brasil não existe nada a respeito destas influências na criação nacional. Bossa nova regada a bebida, muita maconha na Jovem Guarda, muito pó no rock dos anos 80 assim como nas gravações de discos de Samba Enrêdo das escolas de samba. E quando dizem que a música, no caso, era bem mais criativa e abusada nos 60/70, minha tese é de que nesta época usavam-se drogas mais contemplativas, e atualmente as drogas são mais de relacionamento, sendo que a mudança dos tipos de droga foi mesmo marcada pela aparição da cocaína em larga escala, e mais fácil de se comprar nas cidades. E cocaína é uma droga egotrípica, por excelência. Drogas atuais são usadas mais para desinibir, para transar horas seguidas, se sentir amado, tirar ansiedade, etc. Foi mais ou menos o que conversei com Ana, e ela com a boquinha pequena aberta e dizendo, "Pôxa, é mesmo....precisa disso...boa idéia". Quem sabe, vinga.

pra não ficar muito grande, vamos dividir a noitada literária em dois posts

Um comentário:

Norma Lima disse...

Bartsch, adorei a história das perguntas, eu que costumo ir a este tipo de evento literário, sempre saio de lá achando (ditatorialmente, que horror) que deveriam calar os microfones de alguns "perguntadores", que não entendem que a participação deles é importante no sentido qualitativo da frase e não no quantitativo. A pergunta dessas pessoas costuma ter introdução, introdução, outra introdução,e nenhum desenvolvimento e conclusão. Por isso, te cumprimento mais uma vez pela inteligente observação.
Parabéns pelo sucesso, você merece.