A conversa é mole, mas o papo é firme.

terça-feira, março 24, 2009

Trêz centos

E aquí estamos no post de número 300. E quantas águas por cá não só rolaram, como ainda vão rolar e muito.

Mas no pós, aos detalhes do pré e do durante. O carteiro chegou, em meados de março dizendo: Bart, no dia do show de Riba, é aniversário do Beto. 3 opções de favor: uma gostosa, de preferência sem a parte de cima do bikini, uma drag ou um fortão com uma sunga de oncinha, para entregar o bôlo para a criança.

Isto não é um desejo (ou 3, que sejam), mas uma ordem. E assim apareceu Valentino/Susi Ferrari. Várias trocas de fotos e mensagens, foi escolhido o figurino e discutido o roteiro, juras de excomunhão se vazasse, e o resto já é história, que está em vídeo no blog da Norma. E nem precisa dizer que a "menina" quase morreu, quando ficou sabendo que iria trabalhar com Ritz. Mas saiu como o combinado.

Ritz chegou na sexta à noite, e fiquei sabendo pois Mazinho me ligou, pedindo para pegar uma pequena encomenda no hotel, que foi o mesmo Plaza Inn do João Rock. Marcamos na hora do almôço, e fui até lá. Eram quase 14:00 e estavam todos dormindo. Roberto me contou depois que foi dormir à 6:00, pois viu que ia passar um filme de Vanessa Redgrave que êle queria rever, e como bom cinéfilo, não se furtou. Eu tinha tentado realizar um pedido da Globo local, que queria Ritz no jornal do almôço, mas ela disse que não acordaria nem morta para dar entrevista. Combinamos 17:00 no teatro, para discutir os finalmente de Susi, e seria a passagem de som.

Cheguei um pouquinho antes, e o povo maluko já estava fervendo em frente ao teatro. Rubs ao violão, e Edna (que estava anfitrionando esta ala) Carol, Dani, Pedro, e mais, muitos mais. Falei um oi, e Mazinho disse que estavam encostando. Fui até a porta lateral e Ritz desceu tão batida que passou ao meu lado e nem viu. Roberto já falou oi e entramos juntos. Estavam comigo os filhos Bárbara e Caetano, que veio falar um oi pois iria tocar à noite, sem poder ver o show. Bárbara era puro interêsse, pois ela e Gungun vivem trocando presentes e farpas em geral.

ELA nos recebeu no camarim, e ficamos colocando o papo em dia sôbre filhos, netos e saúde. Depois de um tempo, eu disse a ELA que talvez estivesse sendo esperada no palco e depois de um é mesmo, lá se foi. Acho que pelo nôvo tecladista, passaram várias músicas, e trechos. Depois ela veio até a beirada do palco e combinamos a hora, iluminação e como seria a entrada de Susi.

Nestas foi quase uma hora e meia.

O bom de lugar numerado, é que não tem muvuca, empurra, e pode-se chegar em cima da hora. Na porta encontrei Norma e Nei, e falamos um oi rapidinho, já entrando. Daí aquela gostosura que é entrar naquele teatro, já enchendo e todo iluminado. Um papinho com vários amigos da cidade, e as luzes foram apagando. Começando com o cabaré de Débora, o início do que tantos já contaram em fotos e filmes. O som no teatro não precisa ser alto, e dava para ouvir perfeitinho.

Na primeira oportunidade agradeceu às pessoas que em plena crise estavam gastando dinheiro para vê-la, perguntou do Palocci (que ganhou sua vaia), elogiou o teatro, disse que achava que já tinha tocado lá, mas não tinha. Conversando depois, ela lembrou que confundiu com a boate Zoom, onde fêz o bossa'n'roll. Perguntou se o teatro estava tombado pelo patrimônio histórico, deu uma pequena pausa e disse gostei...vou comprar, e a casa veio à baixo.

Um sucesso atrás do outro, a banda muito bem ensaiada, bons arranjos, o telão meio falhando, mas fazendo um comentário visual muito bom.

Lá pela décima música, conforme o combinado ela começou a apresentar a banda, e foi a deixa para Susi entrar. E acabou saindo direitinho, e muita gente acabou achando que a drag apareceu expontaneamente do nada, como se fôsse uma fã delirante. Mas assim é o show business. Beto entrou direitinho na brincadeira, e ficava perguntando aos pais qual deles tinha armado aquilo, e eles faziam cara de paisagem. Ao final, quando contei a êle, o garôto dizia sabia que tinha seu dedo nisso. Todo donzelo tem uma mãe que é uma praga.

Na Ovelha Negra, ELA começou a improvisar uma letra ao final, ficava repetindo o mantra "ah, ribeirão, ribeirão", e então disse da Cava do Bosque, um lugar muito bonito em que ELA tocou várias vêzes, depois falou do Bivar, que é da terra, e quase me mata do coração, quando disse que era minha amiga, que eu tinha um livro sôbre ELA, que eu era do NÓS, e complementou falando do Sócrates. Parece besteirinha, mas ouvir algo assim, vindo de quem ELA é, num teatro em que fiz parte de uma grande luta para restaurá-lo, perante o povo de sua cidade, e ainda ganhar aplausos dos fãs fiéis e leais DELA, como se diz na atual vulgaridade, não tem prêço. Nos bastidores a xinguei amigavelmente, mas com palavras fortes, pela saia justa, e ela ria na minha cara. E ainda levou uma bronca do Beto pô mãe, não falou do Kiko Zambianchi, e ELA, pô, meu vou saber que êle é daqui?

Na passagem de som, tínhamos combinado que quando rolasse Lança Perfume, era pra ir para os bastidores, para cantar parabéns pro Beto, pois tinha uma sala armada com bixiguinhas e tudo mais. Nestas o povo já estava todo em pé e tinha se juntado na frente do palco há um bom tempo.

ELA entrou no camarim, trocou-se rapidamete e nos chamou. Enquanto isso cumprimentei o Beto, disse a êle que uma vêz também tinha feito 32 anos em Ribeirão e tinha sido bacana, e pela primeira vêz tivemos um tempo para conversar mole. Só podia ser filho das simpatias. Estavam comigo Pedro, Bárbara e Julia, filhos, e Renato, sobrinho, e mais o Maga.

Nestes casos sempre instruo para não ficarem pedindo dinheiro, e se forem enfiar comida no bolso ou nas bolsas, para não pegarem coisas moles ou que derretam, pois vai virar aquela meleca e nem dá pra comer depois. Refrigerante, água, gatorades, só se estiverem com as devidas tampas. Bem, ao menos na hora não percebí nenhum incidente digno de nota, apesar de que eles sabem como fazer na moita.

Beto não se tocou, ou fêz que, e foi chamado para entrar na tal sala, às escuras. Acenderam as luzes, cantaram o inevitável, e pediram discurso. Êle declinou, dizendo não ser um homem de palavras, mas agradeceu aos genitores e lhes deu os dois primeiros pedaços do bôlo. ELA disse que o regime só permitia uma lambidinha social. Nestas sentei ao lado do Roberto, e o papo foi rolando, por conta do furto no comêço foi muito ruim, mas depois aprendemos a ver que temos que nos livrar de algumas coisas velhas, para aparecerem novas, e a minha predileta voltou dentre as 4 achadas. Mas a predileta do Beto não voltou. O Dvd/Cd está sendo mixado, não tem planos para um trabalho nôvo, embora tenha terminado o estúdio em casa, para ensaios e gravações. E um monte de filmes, séries, e um papo com Ritz junto, em que eu e ELA gostamos de progressivo mas gostar é uma coisa e os Mutantes queriam tocar igual, por isso perderam o rumo e não lamento a saída, e Roberto acha todo prog brega, e gosta mesmo dos Stones, a aproveitei para fazer minha velha reinvidicação de que toquem uma dos Stones no show, e ELA disse meu, êle canta todas...não precisa nem ensaiar....Roberto fez aquela cara de sem jeito, mas foi iniciada a campanha para que além de ser Stones, êle poderia voltar a cantar uminha, coisa que já fêz em outras oportunidades. Semente lançada. E mais um pouquinho de filosofia, fofócas impublicáveis, ELA falou muitíssimo bem de Reiberto, que está com um astral ótimo, contando piadas, namorando menininhas, e acabou de vêz com o fantasma mariarita. Mas disse que não a chamaram ao menos ainda, para o tal projeto de um show que o Reibas vai fazer com 14 ditas musas. Vamos fazer campanha, militantes.

Daí ela começou a receber o povo, e fomos revendo os chegados e desconhecidos, todos pedindo a benção. E acho que muito bem recebidos, e no ôlho do tornado, da pra ver que ELA gosta dos envolvidos, fica preocupada com gente que esta longe de casa, gastando muita grana e coisas assim. Podem continuar rezando, que a Santa aceita as orações de bom grado e vela por todos.

E assim nem imagino quanto tempo rolou, mas foi todo mundo embora, Ritz queria arrumar um lugar no ônibus para ir para casa, ia até tentar subornar alguém, mas parece que não têve jeito, e deve ter seguido no vôo da hora do almôço.

No resumo da opereta, o casal esta muito feliz, principalmente por terem encontrado o lugar ideal para morar, os filhos criados, sem nóia de fazer shows, pois é só assim que se ganha a vida agora, mas num ritmo tranquilo, sem forçar a barra. E muitas plantas e animaizinhos. E acima de tudo, a neta.

Nos despedimos, e como já disse, combinamos de nos rever em 2015. Depois foi levar molecada pra comer, para suas casas, uma passadinha num boteco onde a torcida ainda estava a mil, como se o jôgo nunca terminasse, um encontro com Nei e Norma na tarde do domingo, e a Caravana Rólidei continua seguindo. Por aí.

Existem certos dias que são melhores que os outros.

6 comentários:

Norma Lima disse...

Bart, Bart, Bart... lindas e generosas palavras.
Como conseguiu resumir tão bem uma noite como aquela?
Uma vez, quando eu tinha 14 anos, li na antiga revista POP, um texto de uma leitora sobre a Rita, que muito me emocionou também.
Na década de 70, ditadura braba, gostar de Rita Lee não era aconselhável, ela, com as madeixas vermelhas e postura libertária, era rotulada como comunista pela direita e de alienada/americanizada tipo-calça- lee pela esquerda.
Naquela época ainda havia esquerda e direita. Mas o texto dizia mais ou menos assim: "As noites são mais bonitas nos dias dos seus shows. A vida é mais bonita quando você sorri. E que aqueles, que hoje te amam, nunca vão te esquecer".
Quem de nós não assinaria isso?
Rita adora me zoar, eu disse a ela que não iria em Santos porque, shows em dia de semana, são ruins de eu ir por causa do trabalho. E ela tirou uma com a minha cara dizendo que eu era professora e que ganhava muito bem. Mas é assim mesmo, ela se preocupa por gastarmos nosso dinheiro, por estarmos na estrada e tal. Mas é o tal negócio... uma vez uma compositora capricorniana cantou: "Eu não tenho hora pra morrer... por isso eu sonho".
Obrigada pelo texto, vai ficar escritinho no coração da gente. Como o seu livro.

Rubinho Vitti disse...

me lembrou os antigos relatos da leesta, que eram bacanas assim... desfilando fios de texto com cada trechinho de cada emoção...

muitobom...
além das news...

abraçuuuu... e se pá a gente se vê antes de 2015... haha...

Edna Costa disse...

Rubis tem razão, esses relatos fazem falta, era como quem não pudesse ir participasse de alguma forma. Obrigada por citar meu nome. Era o mínimo a ser feito pela turma animada.
Fomos em Santos. A Dani tem registros fotográficos e o Ícaro tem um videozinho. Vou procurar e mando por mail. abs.

Rose Moreira disse...

Oi Henrique Bart, sou Rose amiga da Norma, muito legal o seu blog eu leio sempre mas hj resolvi deixar um abraço pra vc.
Eu mesma não sou fã de rita lee mas acompanho o amor da minha amiga Norma por rita lee a tempos... humm, uns 35 anos!
li a sua biografia alucinada achei muito divertida e leitura boa mesmo para os não fãs do genero
Abraços da santista (em cidade natal e em time) rose
ps. eu nao sou tão boa com as palavras como vc e a norma, então desculpe o texto mixuruca

Amanda disse...

Com tanta coisa pra comentar, como a puta inveja que eu estou sentindo, o que não me sai da cabeça é que todo progressivo é brega!
Roberto, toca Stones! =)

Nei disse...

Coisa mais dificil é comentar o impossivel, abstrato, imaginavel...posso apenas agradecer a voce, Henrique , por acolher nossa Rita de maneira tão sensivel e amorosa...voce é uma pessoa incrivel...fico tão tranquilo na minha memoria quando lembro que tenho uma Norma e um Henrique zelando pela naturalidade da Rita Lee...sou muito grato mesmo...pois sei que o que voce faz é pensando que se fosse por outro faria igual..mas melhor so voce mesmo...abraços obrigado por mencionar minha pessoa e espero sempre te ver...
agora é voce que tem que forçar a Norma vir antes de 2015..abração e muita saude sempre...
parabens pelo talento...
obs: quanto a Rita mencionau seu nome e do Grupo Nós...foi apenas o basico do respeito e da admiração que ela tem por voce..e me incluo nos aplausos...voce merece...

"Misturando sensações
Confundindo as emoções
Sem saber como tudo vai terminar "