A conversa é mole, mas o papo é firme.

sexta-feira, agosto 24, 2007

Mais uminha

Bem, a pedidos, as aventuras de São Carlos.

Morei por lá de 1972 a 1978. Fiz um curso de engenharia de cinco anos, na USP, e como já tocava para me sustentar, fui obrigado a ir deixando algumas matérias para trás, por conta das viagens e por não poder fazer as aulas que caiam no sábado de manhã. Quem fez/faz Facu, sabe que depois ficamos dependendo de grade de horários, disponibilidade e coisas assim para fazermos as matérias atrasadas.
Normalmente eu ficaria mais 6 meses, além dos cinco previstos, mas devido a um amontoado de greves, e de cursos espalhados por vários semestres, muito embora estivesse fazendo pouquíssimas matérias, acabei ficando até a metade de 1978 para terminar. Eu arredondo para 7, mas na verdade morei por lá seis anos e meio. E durante muito tempo depois de terminado o curso, tive pesadelos nos quais sonhava que uma matéria ainda tinha ficado para trás....afff..

O que parece ter sido um atraso, foi das melhores coisas, pois cursando poucas matérias, tinha tempo de sobra para a música (foi nesta época que montamos o primeiro show de meu grupo só com músicas próprias), tempo para escrever (foi aí que publiquei meus primeiros contos na revista da Escola, chamada Aleatórias), deu para criar uma revista em quadrinhos, chamada VIXE, e organizar muitos e muitos shows musicais com os alunos. E não era só eu quem tinha tempo, pois por conta das greves, muita gente estava nesta situação. Além do mais montavam-se peças de teatro, ciclos de cinema, shows do Circuito Universitário, onde iam Chico, Gal, Bethânia, Gil, Paulinho da Viola, Elis, Toquinho e Vinícius e muitos mais e menos votados.

Por isso meu grande carinho pela cidade que tanto me deu culturalmente, e a emoção de estar voltando por lá agora em outra missão.

Não tenho uma palestra fixa sobre RLML, e na verdade todas foram muito diferentes. O unico gancho são as músicas dos Mutas, Tutti e carreira solo DELA, só para ilustrar a conversa.
Agora acrescentei imagens, onde na primeira parte conto a história dos movimentos musicais nos 1960, que resultaram na Tropicália, apresento a Guitarra Maldita, e depois deixo rolando slides de aproximadamente 500 imagens de Ritz, colhidas neste tempo todo. As pessoas ficam magnetizadas, tamanho o número de mudanças de visual, caretas e tudo aquilo a que alguns já estão acostumados, mas que a grande maioria nem imagina.

Em algumas vezes falei onde tinha um maior número de fãs conhecedores, mas na de São Carlos, eram na maioria professores universitários da Faculdade Federal. Assim sendo foi bem mais didática do que outra coisa.
Vou colocando no meio da conversa algumas histórias cabeludas do livro, outras que aconteceram depois, e assim vai.

Outra coisa que varia muito, é o número de perguntas. Quanto tem fã, a curiosidade já começa de cara. Em outros lugares, não perguntam durante a palestra, mas muitos vem ao final tirar suas dúvidas individualmente. São Carlos foi assim. E foi muito bom reencontrar velhos amigos que nunca mais tinha visto.
Aliás, meu novinhos, isto é terrível: convivemos com várias pessoas durante anos, e de um dia para o outro somos jogados no mundo cada um para um lado, e nunca mias nos vemos. De um total de 180 alunos da época, só tive contato com 5, no máximo. Isso é muito chato.

Incluí também Victor, o theremim, para tirar uma onda, e mostrar o que os mutas já faziam em 1968, brincando com a eletrônica.

Acho muito bom que após um ano de lançamento, o livro ainda dê um bom caldo, visto que sempre estou recebendo mensagens de quem lê, tanto do Brasil quando do exterior.

8 comentários:

fernanda lee disse...

"dever" por uma boa causa é sempre válido né não !!
thanx por compartilhar ..

bxuxxxxxxxx
fefetx

Anônimo disse...

Oi Bartsch, tudo bem?
Que bela história essa tua passagem por São Carlos.
Juro que não pensei que os 7 anos que passastes em SC foram marcando bobeira. A efervescência cultural da universidade é algo que deslumbra. Até pq a gente sai de colegios, universo pequeno, e se depara com algo de amplitude sem bem maior e mais heterogênea. O intercâmbio nos bares, shows e demais eventos merecem ser vividos.
Parabéns pelo teu show em SC.
Bjs tricolores.

Dani Lee disse...

Ae Bart legal a estória !

O começo de Bart mora ao lado hehe

amaços..
dani lee

Joseh Garcia disse...

Bart,
Esse livro nao so ainda da um bom caldo, como um otimo filme.

Pense nisso.
Grande abraco!

Anônimo disse...

Se o filme sair, eu quero fazer papel do povo - que faz parte da terra, que faz parte do reino, que não teve começo e não vai ter fim, mas que não vive sem um show da Rita.

Norma Leema disse...

Huuummm, acrescentou imagens Dela nos Encontros...!!!!...
Adorei a pequena biografia do Bart, fale mais a seu respeito, sir.
Nossa, tinha muito professor e pouco fã? Ainda bem que sou as duas coisas, hahaha e nada de didática comigo, por favor. Eu sou uma professora maluquinha, igual àquela do livro do Ziraldo.
Levou Vítor é? Tá, mata a gente de inveja, theremin, guitarra dos Mutantes, iamgens da Rita, chega de tortura...

Alessandra Alves disse...

henrique: até hoje, para mim, são carlos do pinhal era só a rua de trás da minha academia, aqui na região da paulista!

adorei a história!

Denise disse...

Adoro biografias... hehehehehe...

Parabéns pelas suas histórias de vida e pelos eventos sobre RLML!!!

Beijo!