A conversa é mole, mas o papo é firme.

segunda-feira, janeiro 29, 2007

É o fim do caminho que se faz ao caminhar

Como se trata de Globo, muita gente deve ter visto o especial jobiniano, ainda mais que é colado no Big Bódi.

Até já disse no da Elis, que isso tinha que ser mini-série ou programa semanal ou sei lá o que, para que a massa saiba da existência de nossa história musical.

Mas infelizmente foi bem pior que o da Elis, pois Tom não tem mulher, não tem filho, praticamente não tem vida. Só compôs algumas músicas conhecidas e também morreu do nada.
Ele lutou um bom tempo com sua doença, e no final apelou até para o Thoma Green Northon, aquele mesmo que Ritz entre dez estrelas da mídia acabaram visitando um dia em Pouso Alegre, Minas Gerais. Northon garantiu a cura de Tom, e logo após tudo acabou.

Também fico chateado com a hierarquia das drogas, pois para o lado do roquenrou, é tudo drogado, decadente, hospício, overdose e coisa e tal, enquanto lá pelos lados da bossa nova e do samba em geral o bom e velho álcool é companheiro, combustível da alegria, apaziguador e jamais ninguém admite que levou Tom, Vinícius, Elis e dezenas de outros menos votados. E nunca jamais se trata a "marvada" como droga, apenas porque é permitida e porque gera muita grana para muita gente. Assim como o tabaco e os tarja preta, que você compra quando e como quiser.
Cai sempre na hipocrisia da discussão se as drogas devem ou não serem liberadas. Lembrando que João Gilberto, que ao que me consta não bebe, mas gosta de um bom gererê, anda até fazendo filho aos 75 anos de idade. Mas aí já é outra discussão.

Não sei se é resquício dos tempos de ditadura, mas o tal pode/não pode também sempre paira sobre nós, quando vai se mexer com biografias. Roberto Carlos já abriu dois processos, um contra a editora outro contra o autor, porque contaram o que todo mundo já sabe. Nos consultórios, naquelas revistas hediondas, sempre calha de ter aquelas "20 perguntas rasteiras para respostas monossilábicas", e a campeã de respostas dada por todos é "o que menos gosto nas pessoas é falsidade". Pois acho que deveria ser a hipocrisia, mesmo, que é muito além da falsidade, porque coloca a pele de carneiro.

Mas a reclamação é mais porque quem acaba sendo vítima é sempre a massa, que não tem acesso ou formação para conseguir dados reais, e por isso tem suas informações sempre distorcidas. Pessoas bem informadas nunca se deixam enganar, e sabem onde estão as verdadeiras fontes.

Para terminar, duas pequenas observações pessoais: Bossa Nova, Jovem Guarda e Tropicália foram os grandes movimentos musicais dos 1960 e duram firmes e fortes até hoje, mas uma coisa é inconteste - preferências musicais de lado, o povo da Tropicália cantava muito melhor que todos, sem nenhuma comparação.
A outra observação, que eu acho mais relevante a toda esta discussão sobre Música Popular Brasileira, é que no especial do Tom e acho que também no dvd Duetos de Roberto Carlos, quando RC canta "Lígia" com Tom, ao final ele vai aplaudir e derruba toda a cinza de seu cachimbo, ou no chão ou em cima do piano. E ele ainda dá uma olhadinha rápida para ver o tamanho do estrago. Qual seria a mensagem oculta deste ato?

Tem uma certa opinião neste link
http://www.estadao.com.br/ext/especial/extraonline/especiais/tomjobim/audio.htm

4 comentários:

Normitz disse...

Bart, concordo e acrescento às suas palavras que a apresentadora Camila esqueci o sobrenome tava pra lá de artificial.
O desfecho foi trágico, com a moçoila cantando "Tristeza não tem fim, felicidade sim", para ilustrar a perda do Tom. Credo, coitado do Jobim. Coitados de nós.
Prefiro uma entrevista que o Jornal Hoje fez com o garçom que servia Tom e Vinícius no botequim Veloso, que depois virou Garota de Ipanema, na antiga Rua Montenegro. Entre outras coisas, o velhinho revelou que a musa dos dois, Helô Pinheiro, dava o maior mole pra eles e sentou na mesinha do bar várias vezes até sair a música "Garota de Ipanema". O garçom também era fã da Leila Diniz, que antes de ir à praia passava lá e pedia pra ele uma cachacinha. Isso sim é matéria legal, ficar repetindo que Tom é deus, não sei o quê, é muito chato, muito senso comum.
Beijos chefe!

fernanda lee disse...

... a musicalidade de jobim é requintada e suave aos nossos ouvidos ..

.. esses especiais que estão sendo mostrados pela globo me deixam um tanto quanto esperançosa ... digo isso por que pode ser que a globo está se lembrando que existem mais artistas além de RC, Xuxa e etc .. em seus famosos especiais ..tomara que eles comecem a aproveitar o material que possuem em mãos .. liberem geral ... kkkkkk

“jobim negociando arranjos com Duprat”?? putz .. isso eu queria ouvir ..

beijos e benção
fefetz

Viva a Ritaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa

Dani Lee disse...

Tom Jobim e Elis Regina (entre outros claro) nos deixam saudades, pq se pararmos para reparar nós nunca mais vamos párar de cantar: ''AI, AI MEU DEUS, O QUE FOI QUE ACONTECEU COM A MÚSICA POPULAR BRASILEIRA''
Acho que só tenho isso a dizer hehehe.
Viva a Musica Popular Brasileira!
Viva a Ritz!


Beeijos Bart.

Dani Lee

Edna disse...

Esse "comemorativo" também não fiz a menor questão de ver. Por vários motivos: pela hipocrisia, conforme vc disse, pela falsidade, pela demagogia, porque não estava a fim e outros mais.
E o que dá no saco é que há tantos outros artistas tão bons quanto, já falecidos, e ninguém fala deles. Porque a preferência? Onde estão os artistas populares? Porque não fazem um especial do magnífico Cartola, por exemplo, pra ficar no RJ?
Lembro dos funerais do Tom Jobim, aquilo foi hollywoodiano, digno de horário nobre e tudo mais.
Qual o critério pra isso tudo?