A conversa é mole, mas o papo é firme.

sábado, dezembro 16, 2006

Double oh seven

Aproveitando que o ano que está chegando vai se chamar 2-007, que está sendo lançado um novo filme do herói que pode matar e principalmente porque é um dos maiores ícones da nossa querida década de 1960, vamos falar de Bond. James Bond.

Quem leu RLML, vai lembrar que a primeira frase do livro homenageia mr. Bond e seu bordão famoso. Um outro bordão dêle, é meio chato de traduzir, quando ele pede seu drink shaken, not stirred, que ficaria algo como sacudido mas não chacoalhado. Horrível. Eu não beberia algo assim.

O filme novo trás um novo ator no papel, com uma velha história do agente. Sempre dizem que o primeiro Bond é Dr. No, mas na verdade é o próprio Cassino Royale, que era uma adaptação feita por Woody Allen, e com David Niven no papel principal. Era uma comédia deslavada, como sempre Woody faz quando não quer imitar Ingmar Bergman.
Mas todo mundo considera o marco zero o tal Dr. No, pela tal saída da água de Ursula Andress, que ganhou por esta cena um trocadilho em inglês, Undress, que quer dizer despida. Na época todo mundo ficou maluco com a cena, mas se você assistir hoje, é ridículo, aquele bikini enorme, ela segurando a barriga em épocas de pouca malhação. Mas o que valia mesmo, era o Bond, Sean Connery.
Sempre fica uma conversa sôbre quem é o melhor 007, mas não tem pra ninguém. James Connery. Quem entende sabe disso. Os outros foram brincadeirinha. É verdade que Sean fez um Bond idiota, numa época em que houve uma briga entre estúdios e direitos autorais, e saíram dois filmes ao mesmo tempo. Muitos anos depois de ter deixado o campo, foi chamado Connery para fazer este filme alternativo, mas ele estava fora de forma e já não tinha idade para ficar matando por aí à torto e direito. O filme chamou-se Nunca Mais Outra Vêz, que é exatamente o conselho que Connery deveria ter seguido.
Depois veio Roger Moore, mas já foi virando palhaçada. Os outros nunca esquentaram direito a cadeira.

Dizem que o nôvo é o melhor Bond de todos os tempos. É o vigésimo primeiro filme, e sempre ouví esta frase no lançamento de todos os filmes.
Bond se divertia quando os russos comiam criancinhas no sentido literal, e tinha a tal guerra fria. Agora perdeu um pouco o sentido.
Mas a gente sempre acaba assistindo pra ver o que virou.

Mas vai uma histórinha para que os novinhos sintam o drama. Dr. No saiu em 1962, e eu tinha exatamente 11 anos. Nesta época, existia censura nos cinemas, que ia de livre até 21 anos. Passava por 14 e 18 anos. Os filmes de Bond tinham censura de 18 anos. Não sei se pelo mata mata, mas acho que era por causa das tais Bond Girls, que ficavam perigosamente de bikinis enormes. Se eu fôsse seguir a lei, iria assistir meu primeiro Bond em 1969. Mas burlar é muito melhor. Perto de minha casa, tinha um cinema chamado Cine Marrocos. O juizado de menores colocava fiscais nas entradas dos cinemas, e você tinha que mostrar documentos para comprovar a idade. Lógico que todo mundo tinha suas carteirinhas estudantís alteradas. Imagina uma mulher querendo ter uns 3, 4 anos a mais? Parece impossível, mas isto acontecia, meninas.
O gerente do Marrocos, Seu Renato, era um cara muito legal, e sabia muito bem que nos filmes de 18 anos nem peitinho aparecia. Só nos de 21, e olhe lá.
Por isso ficávamos bundando em frente ao cinema, e durante a semana, nas sessões das 22:00, que ele sabia que não teria fiscal de menores, deixava a molecada entrar, depois de começada a sessão, e todo mundo ficava abaixadinho nas cadeiras e nos cantos. Se pintasse algum juiz desgarrado, ele corria avisar, e todo mundo saía pelas portas laterais.

E é por essa e por outras, que proibir é deixar tudo bem mais gostoso.

Enquanto isso, a malukete mór Normanormal está lá em Natal para presenciar mais uma missa campal, e depois contar pra todo mundo shoo be soo down down.

3 comentários:

fernanda lee disse...

meu Deus do céu .. seu invocar James será que vou parar em Natalllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllll


auuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu ...
ai meu Deus ...

bjs
fefetz

deborah lee disse...

ai ai
eu ia pra Natal, ja estava com tudo pronto...
mais tive que me inscrever em uma vestibular e a prova vai ser hoje a tarde...
se fosse de manha ainda dava tempo de ir

Edna disse...

A minha primeira burla (e única) foi aos 14 anos com O Exorcista, aquele primeirão, com carteirinha falsificada pra 4 anos a mais, salto alto, roupa de sair e quilos de maquiagem. Imagina a figura.
Só que tanto esforço nem foi necessário, já que a fila era de virar quarteirão (quarteirão paulistano), chegamos às 4 pra pegar a sessão das 6, e a moça que recolhe os bilhetes estava enlouquecida com tanta gente. Não tinha essa moleza de conhecer o dono do cinema, imagina, Sampa é Sampa, por isso nunca mais aconteceu.
Se em 1962 vc tinha 11, eu tinha 4 pra 5 (há algo errado com essa matemática, mas enfim...) e confundia as identidades Connery-Bond/Bond-Connery, pra mim eram a mesma pessoa, não tinha idéia de que se tratava de um personagem. Ainda mais que do Connery para o Moore houve uma distância de alguns anos e na época do Moore, o Connery já era um senhor endeusado pela beleza. Uma confusão só.
Na minha opinião, a aventura perdeu o charme por causa das modernidades. Além do que vc citou, da gerra fria ser explorada até o toco, nos anos 60 diretores e equipe tinham que exercer a criatividade com maestria para mostrar carros-anfíbios e canetas com raio laser, o que hoje se resolve com os "light & magic" num piscar de olhos.

beijão!